História

CASCAIS/ESTORIL

“O berço do Turismo Português”

Por volta do final do século 19, Cascais, por influência da realeza, nomeadamente através do rei D. Luís que fez da Cidadela de Cascais a sua residência de Verão, sofreu alterações profundas quer nas infra-estruturas locais (intervenções urbanas ao nível da construção de palácios e chalets bem como a construção da rede viária) quer nos hábitos e vivências dos seus habitantes, pela permanência de tão ilustres veraneantes, começando, a partir dessa altura, a ser conhecida pela Riviera Portuguesa.

Procedeu-se à adaptação do Forte da Cidadela em residência real, construiu-se um casino, uma estância termal, luxuosos hotéis e inaugurou-se o Sud-Express, um famoso serviço ferroviário ligando Paris ao Estoril.

Na sequência dos projectos de Lei apresentados a partir 1905 no Parlamento, destinados a fomentar e a auxiliar a construção de grandes hotéis, em 1914 Fausto Cardoso Figueiredo e Augusto Carreira de Souza, apresentaram aos deputados da República Portuguesa um projecto de construção e exploração de hotéis, casino, estabelecimento termal, jardins e parques que pretendem edificar em terrenos que adquiriram no Estoril.

Foi o nascimento de um resort internacional que tem, com alguns períodos de mais ou menos glamour, durado e prevalecido por quase um século.

Mais tarde no início dos anos 30 do século passado, o Estoril e Cascais, começaram a ser conhecidos pela “Costa do Sol”, o que originou, por determinação do Decreto nº 41205 de 26 de Julho de 1957, a criação da zona turística com sede em Santo António do Estoril, a qual abrangia a área de circunscrição do Concelho de Cascais, passando este órgão administrativo a designar-se “Junta de Turismo da Costa do Sol”, mais tarde, por existir outra idêntica fora do País, Junta de Turismo da Costa do Estoril, dando origem à primeira região oficial de turismo do País, sendo inclusivamente conhecida internacionalmente como a Riviera Portuguesa.

Entre as duas guerras mundiais, e particularmente durante a Segunda Guerra Mundial, o Estoril tornou-se num destino de eleição para a aristocracia europeia fugida aos horrores e perseguições da guerra, destacando-se entre muita gente ilustre seis famílias reais europeias, fazendo da região do Estoril o seu destino de exílio.

Estas personalidades, conhecidas e reconhecidas, deixaram por aqui marcas da sua passagem, da qual destacamos pelo seu efeito mediático a presença no Estoril do famoso escritor Ian Fleming, tendo nesta região escrito o seu primeiro volume, Casino Royale, centrada na figura mítica de James Bond, o que contribuiu para a projecção nos quatro cantos do mundo da imagem da história de uma região que ainda hoje possui um valor inestimável no contexto internacional.